28 maio 2018

Sobrevida [On-living] | Galeria Mercedes Viegas

Registros da montagem da exposição Sobrevida, Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, Brasil
de 9 de maio a 16 de junho de 2018
texto de apresentação de Luiz Alberto Oliveira

Views of the solo exhibition Sobrevida [On-living], Mercedes Viegas Gallery, Rio de Janeiro, Brazil
from 9 May till 16 June 2018
presentation text by Luiz Alberto Oliveira

@Jaqueline Vojta












On-living | Text by Luiz Alberto Oliveira


There is a particular moment as you sail out to sea, when land fades as the dominant presence, when ocean, sky and winds enclose the seafarer completely – and everything is different. Something similar happens to mountaineers when they sight the summit and with astronauts when the rockets’ roar falls quiet – and, of course, when you enter a forest.

Forest is a condensation of all living, all life. Innumerable dimensions, simultaneous, redoubled possibilities for action, movement and deflection, are embodied in the profusion of beings, perpetually mingling in disparate harmony. Forest is language, a thousand tongues murmuring, a thousand shadows glistening. Few infinites are given to us so whole, so multiple, so intimately alien. Forest takes everything, because it is in the deep more-than-everything. Being there is to become something, some other; the unconscious is structured like a forest. The Amazon is Brazil’s unconscious.
            
Above all, the forest is complex – countless components, in myriad mutual relationships, ordered and counterpoised at so many levels. Being complex is to fold, inwards and outwards. The American ocean of chlorophyll connects with the African ocean of silica as it crosses the waters of the Atlantic. Dust grains from the Sahara carried by Trade winds seed Amazon rainclouds. Evaporation from the forest recycles that moisture, forming aerial rivers that will disgorge into springs and basins in the Southeast. In that way, the cataracts at Iguassu are fed by desert – evidence of the global interconnection of complex system Earth. Even more remarkable though, is to realise that the forest’s transpiration is its respiration: the forest produces the rain that produces it.

This is the context in which to situate human action in and on the forest. For millennia, the original peoples occupied and modified the forest, integrating bodily with it, fertilising it with indigenous black soil and seeding it with Brazil nut trees along a diagonal southeast-northwest strip running thousands of kilometres. However, since the Anthropocene (the epoch when overall human activity became planetary in force and scope) dawned little more than sixty years ago, one third of forest area has been destroyed or altered. The mild, millennial indigenous presence contrasts brutally with the voracious impact of capitalism. And it is here that the question of survival arises – for the forest, the indigenous peoples, for Brazil – and will not be deflected.

The meticulous poetry of Patricia Gouvêa’s images designates precisely that unbounded horizon. Forest re-assimilates ruined house, as it should, leaving its marks and restoring mossy skin, emerging miraculous from the motionless mouth of some out-of-place piping. Man gives it a name, a centre – all it has no need of. Human artefact-time drowns in the vast cycle of soil roots trunks and leaves, but beware: if the forest lives off itself, non-linear as the meanders of an Amazon backwater, without itself it will become extinct – as will we.
            
On-living is on us.

Luiz Alberto Oliveira (physicist and General-Curator of Museum of Tomorrow)

Sobrevida | Texto de Luiz Alberto Oliveira


Há um momento singular, quando se veleja rumo ao alto oceano, em que a presença da terra firme se esmaece, deixa de predominar, e então o mar, o céu e os ventos envolvem por completo o navegante, e tudo se torna diferente. Algo de similar se passa com os alpinistas quando avistam o cume, e com os astronautas quando o ronco dos foguetes silencia. E, é claro, quando se adentra a floresta.
            
A floresta condensa toda o viver, toda a vida. Inumeráveis dimensões, possibilidades de ação, movimento e desvio, simultâneas e redobradas, encarnam-se na profusão de seres, em perene mescla, em disparatada harmonia. A floresta é linguagem, mil línguas murmurando-se, mil sombras lampejando-se. Poucos infinitos nos são dados de modo tão inteiro, tão múltiplo, tão intimamente estrangeiro. A floresta tudo toma, pois está no mais de tudo fundo. Estar ali é tornar-se algo, outro; o inconsciente se estrutura como uma floresta. A Amazônia é o inconsciente do Brasil.
           
Sobretudo, a floresta é complexa. Muitos componentes, em muitas relações mútuas, escalonadas em muitos níveis de ordenação. Ser complexo é dobrar-se sobre si e sobre o fora. O oceano americano de clorofila se conecta com o oceano africano de silício atravessando as águas do Atlântico. Grãos de poeira são trazidos do Saara pelos ventos alíseos e nucleiam chuva na Amazônia. A evaporação da floresta recicla esta umidade, formando rios áereos que irão se despejar nas nascentes e bacias do Sudeste. As cataratas do Iguaçu advém assim do deserto - evidência da interconexão global do sistema complexo Terra - mas ainda mais notável é compreender que a transpiração da floresta é sua respiração: a floresta gera a chuva que a gera.
           
Este é o contexto em que podemos situar as ações humanas na e sobre a floresta. Durante milênios os povos originais ocuparam e transformaram a floresta, fertilizando-a com a terra preta de índio, semeando com castanheiras uma faixa diagonal sudoeste-nordeste de milhares de quilômetros, incorporando-se a seu corpo. Desde que o Antropoceno - a época em que o conjunto da atividade humana tornou-se uma força de alcance planetário - se instalou, porém, há pouco mais de seis décadas, um terço da extensão da mata foi destruído ou alterado. A suavidade da presença milenar indígena contrasta brutalmente com o impacto da voragem capitalista. E é aqui que a questão da sobrevida - da floresta, dos índios, do Brasil - se coloca, indesviável.
           
A poesia meticulosa das imagens de Patricia Gouvêa designa precisamente este horizonte de deslimites. A floresta reassimila a casa arruinada, como convém, espalha suas marcas refazendo sua pele de musgos, assoma miraculosa no bocal imóvel do encanamento perdido. O homem dá-lhe o que não carece - um nome, um centro. O tempo humano dos artefatos se afoga no ciclo imenso das terras raízes troncos e folhas, mas cautela: se a floresta vive de si, deslinear como os meandros de um igarapé, sem si se extinguirá. Como nós.

Sobrevida é sobrenós.

Luiz Alberto Oliveira (físico e curador-geral do Museu do Amanhã)

Hiperorgânicos 8

Participei este fim de semana do Hiperorgânicos 8 - Simpósio Internacional de Pesquisa em Arte, Hibridização, Biotelemática e Transculturalismo, no Museu do Amanhã (RJ). Representei o Lab Verde - Imersão Artística na Amazônia e falei um pouco sobre minha pesquisa desenvolvida por lá em 2017.






18 maio 2018

Sobrevida | O Globo

O “Homen” precisa mesmo se reinventar. De tão destruidor, a palavra que lhe designa está perdendo o sentido... (O Globo, 12/5/2018).


07 maio 2018

Sobrevida | ArtRio


Abertura de Sobrevida no site da ArtRio.








Sobrevida | Abertura 9 de maio 19h | Galeria Mercedes Viegas

Todos convidados! Sobrevida é uma série inédita com 16 trabalhos em fotografia, 2 vídeos e 2 objetos. Os trabalhos que integram a série foram realizados entre 2017 e 2018 em localidades do Estado do Amazonas,—a Reserva Adolpho Ducke do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas) durante a residência LABVERDE; o Parque Nacional de Anavilhanas; a cidade de Presidente Figueiredo—assim como em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, em São Paulo e nos Estados Unidos. 
Sobrevida relaciona as possibilidades da natureza resistir, tanto nos locais onde supostamente os ecossistemas são "preservados", quanto nas pequenas frestas das cidades onde—apesar do cimento—teimam em operar pequenos milagres. 
O texto de apresentação da exposição é assinado pelo físico Luiz Alberto Oliveira, curador do Museu do Amanhã.

06 abril 2018

SP-Arte/2018 Galeria Mercedes Viegas

A partir de quarta, 11/4, na SP Arte, apresento uma seleção de trabalhos em vídeo no stand da Galeria Mercedes Viegas. Todos convidados!


16 janeiro 2018

Catálogo LabVerde 2017 online!

Está no ar o catálogo LABVERDE 2017! Muito feliz por ter sido parte desta incrível equipe de grandes artistas. É possível baixá-lo em no site ou no Issuu. E junte-se à edição de 2018! Inscrição até 7 de fevereiro.



13 novembro 2017

Alegria é começar a semana com uma baita matéria sobre Mãe Preta, pesquisa que desenvolvo com Isabel Löfgren desde 2015, no Corriere de la Sera! A entrevista foi feita pela maravilhosa Claudia Buzzetti. Que a potência das mulheres e mães negras possa ecoar Mundo afora. | My work Mãe Preta (Black Mother), research in partnership with Isabel Löfgren today at Corriere de la Sera!






12 junho 2017

Labverde - Arts Immersion Program in the Amazon

Feliz com a seleção pro Labverde e com a possibilidade de desenvolver minha pesquisa no coração da Amazônia!



10 maio 2017

Mãe Preta | Palácio das Artes BH

Muito felizes em aportarmos com nossa exposição em Minas Gerais! Mãe Preta abre esta quinta 11/5 às 19h no Palácio das Artes em BH, super bem acompanhada pelas mostras de Eder Oliveira e Ricardo Burgarelli, também ganhadores do Edital de Ocupação 2017.
Dedicamos esta pesquisa a todas as mulheres e mães negras brasileiras, em especial às sete maravilhosas colaboradoras Glauce Pimenta RosaJessica CastroGabriela AzevedoCarla GomesNidia Mara, Cristiana Rosendo e Michelly Alves, protagonistas da videoinstalação Modos de Fala e Escuta, realizada em parceria com o artista sueco Mats Hjelm. A todos os amigos e colaboradores que nos ajudaram neste percurso, nossa gratidão. 
As exposições poderão ser visitadas até agosto. Sejam bem vindos e convidem os amigos. Voa Mãe Preta! 



17 março 2017

Que venha 2017!

Esta semana trouxe duas ótimas notícias: a seleção no Edital Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado para Ocupação do Palácio das Artes (BH) com o projeto Mãe Preta, em parceria com Isabel Löfgren, e a seleção na Mostra Aberta do SSA Mapping, que irá usar a fachada do Palácio Rio Branco em Salvador como suporte de videoarte. Vai ser muito bacana ver meu peixinho flutuando em grandes dimensões!





20 dezembro 2016

Imagens Posteriores no site da Revista ZUM

Trabalho da série Imagens Posteriores no site da Revista ZUM. A expo segue na Zipper até janeiro e a curadoria é da querida Nathalia Lavigne




05 dezembro 2016

Coletivas na Zipper e TAL

Participo de duas exposições coletivas bem bacanas que abriram semana passada: Imagem-Movimento na Zipper Galeria (SP) e Corpo, Ausência, Presença na TAL (RJ). Ambas ficam abertas à visitação até 2017. 



03 novembro 2016

Dotmov na Fábrica Bhering

Dotmov é um festival multimídia internacional, criado no Japão, em 2003. Desde 2008, roda pelo mundo sua versão de vídeoarte, que já percorreu inúmeros países, tais como: Inglaterra, Estados Unidos, Noruega, China, Brasil, Argentina e Alemanha.

No Brasil o festival é representado pela TAL | Tech Art Lab, que neste ano irá apresenta-lo pela terceira ano na Fábrica Bhering, no Rio de Janeiro. Dotmov também será apresentado em outros espaços de arte contemporânea em Tokyo, Londres, Antuérpia e Hong Kong.

Este ano estarei participando com o video Do Amor (Allegro ma non troppo) e mais um monte de gente bacana: Analu Cunha, Ana Paula Albé, Antonio Bokel, Aya Inai, Densuke 28, Diego Lama, DigitalVegital, Elisa Pessoa, Fuka Miyajima, Hans MortelmansHayato NoveHeleno Bernardi, João Penoni, Kaoru Izumi, Katia Maciel,  Kohta Yamajim.a., Marcos Chaves, Marcos Kuzka, Maria Baigur, MU! (Sebastian Murra), Patricia Gouvêa, PatanicaRafael Adorján, Sebastian Mahaluf, Sylvia Carolinne, Susana Guardado, Tarafu Otani, Teppei Kosekie Tilt-six.

Este sábado, de 19h às 22h, no Pombal, 5o. andar

Lounge: 19h a 0h.
DJs Julio Feferman e Dave
+ Imagens Reativas ao Som.

O evento tem entrada franca.
Local: Fábrica Bhering.
Rua Orestes, 28
Santo Cristo
Rio de Janeiro


17 agosto 2016

Brisa Arts | Pop-Up Gallery

Participo desta pop-up gallery da Brisa Arts com um monte de amigxs bacanas de amanhã a domingo (18 a 21 de agosto) no Village Mall, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Terei alguns trabalhos em fotografia e meus livros Imagens Posteriores e Banco de Tempo à venda.


23 julho 2016

Mãe Preta | Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa

Amigxs queridxs, ficarei imensamente feliz com a presença de vocês na abertura hoje da nossa exposição, fruto de mais de 1 ano de uma pesquisa que reuniu muitos afetos e colaborações. Um agradecimento especial aos parceiros antigos e novos de vida que estiveram ao nosso lado e trabalharam neste projeto, materializando este tributo a todas às negras mães do Brasil, protagonistas de nossa história afetiva e social, ontem, hoje e sempre. Que Mamãe Oxum nos abençoe!