10 novembro 2022

Oficina e lançamento do livro Do amor em Lisboa

Temporada lisboeta promete!


Lançamento do livro Do amor + oficina ‘Modos de ver e encontrar: escavar histórias e ressignificar arquivos” no dia 17.11 no Nowhere, espaço experimental de arte capitaneado pela curadora Cristiana Tejo e pelas artistas Luiza Baldan e Marilá Dardot, brasileiras radicadas em Portugal.


17.11


16h a 19h oficina ‘Modos de ver e encontrar: escavar histórias e ressignificar arquivos”


19h a 21h lançamento do fotolivro Do amor, editado pela {Lp} press


Nowhere

Rua dos Poiais de São Bento, 6

Lisboa, Portugal












14 outubro 2022

Reler Debret | Museu da Chácara do Céu

Neste sábado inaugura a exposição Reler Debret no Museu da Chácara do Céu, onde eu e Isabel Löfgren participamos com nossa releitura, ou melhor, "Modos de olhar" Debret, parte do projeto Mãe Preta, pesquisa desenvolvida entre 2016 e 2021. 

A série Modos de Olhar inclui o político sobre Debret que iremos apresentar, além de outras revisitações de obras de artistas e fotógrafos viajantes do século XIX, destacando a complexidade das relações das amas de leite na luta entre a sobrevivência de seus filhos e a obrigação de aleitar os filhos de seus “senhores”.


Muito felizes de estarmos juntes destes artistes maravilhoses! Todes convidades! 




26 setembro 2022

Novo livro: Do Amor

Sábado passado fizemos um pré-lançamento do meu novo xodózinho no 18o. Festival Internacional Paraty em Foco e agora seguimos com os lançamentos no Rio e São Paulo! 

De 2018 a 2022 frequentei aplicativos de relacionamento, formando uma coleção tanto afetiva quanto “abismada”.  O fotolivro “Do Amor” é o resultado desta experiência, e mostra como o difícil momento da polarização política do país invadiu o campo dos afetos e desejos.  

Editado pela {Lp} press, o livro de 96 páginas, pouco maior que um celular, apresenta perfis e diálogos permeados pelos ruídos típicos das relações virtuais contemporâneas.  

O lançamento no Rio terá um bate-papo com o editor Rony Maltz e será no dia 1/10 às 16h, véspera das eleições, no Agô Bar da Encruza [Rua Áurea, 30, Santa Teresa, RJ], uma ação entre amigues para que possamos abrir os caminhos com muito axé e boas energias para o nosso país!

Em São Paulo lançaremos no dia 8 de outubro às 15h na Lovely House Casa de Livros, que fica na Galeria Ouro Fino, 2ºandar, Rua Augusta 2690 #329, também com a presença do editor Rony Maltz, que escreveu sobre o fotolivro:

"Amar é foda. Ou antes fosse. Em tempos de virtualização crescente, tocar o outro é cada vez mais raro, em todos os sentidos. Nos encastelamos em nossas bolhas, caixas de ressonância de nossas próprias opiniões, alienando a diferença e impossibilitando a abertura para o novo (ou para o novinho). Patricia é uma mulher de 48 anos, divorciada, disposta a furar a bolha. Por quatro anos, de 2018 a 2022, ela desbravou o universo dos aplicativos de relacionamento, sem filtros, disposta a novas experiências - políticas, estéticas, afetivas e sexuais. Do amor é resultado dessa imersão, registro fragmentado de alguns desses encontros e, por tabela, de certo modo de relacionamento contemporâneo, com toda sua liberdade e todos os seus ruídos. Ao levar para o papel sua experiência nas telas, sem a proteção de avatares, Patricia Goùvea compartilha uma coleção tanto afetiva quanto abismada e alguns de seus dilemas nada virtuais com o mundo atual, permeado de fissões sociais e políticas que não vão embora num arrastar de dedo por uma tela de celular."




19 setembro 2022

18o. Festival Internacional Paraty em Foco

Alegria em fazer parte da programação dos Encontros e Entrevistas do 18o. Festival Internacional Paraty em Foco nesta conversa em torno do livro “Fotógrafas Mulheres: Imagem Substantiva”, com a autora Yara Schreiber Dines e a fotojornalista Wania Corredo.

Iremos apresentar um pouco dos nossos trabalhos e de certa forma representar tantas fotógrafas maravilhoses que fazem parte desta publicação. Muitos livros ainda serão necessários para dar conta da enorme produção feita por mulherxs fotógrafxs no Brasil! Esta quinta 20h na Casa de Cultura de Paraty!



17 agosto 2022

Reverberações da Floresta | Om.art

Mesmo não estando na floresta, ela reverbera em mim e no meu trabalho. É para lá que meu pensamento voa desde que entrei na Amazônia pela primeira vez em 2017. Foi muito nutritivo estar semana passada entre pessoas tão bacanas num ambiente tão instigante como é a Om.art e contar um pouco sobre este recorte da minha pesquisa de forma presencial depois de uma longa fase de introspeção.

Muito agradecida à Roberta Tavares pelo convite, pelo acolhimento do seu grupo de alunes-fotógrafes do Alfabetismo Visual, pelos amigues presentes e por reconhecer em Oskar Metsavaht uma voz potente na luta pela preservação dos povos originários brasileiros e nossa imensa riqueza, nossa Mãe Floresta.

Registros de @Fernanda Chemale







02 agosto 2022

Fotografia como Paisagem

[Texto publicado em espanhol na Revista Once, da Maestria de Artes Plásticas de Bogotá, Universidad Nacional de Colômbia, 2006]


A concepção tão popularizada da fotografia como a técnica capaz de aprisionar o tempo e de congelar para sempre uma cena que jamais se repetirá – eterna mumificação da vida -, teve como principal conseqüência a generalização da idéia do instantâneo fotográfico como algo visceralmente associado ao real, como se entre este e o resultado formal da imagem não coubesse nenhuma mediação ou operação conceitual.


Edmond Couchot, artista francês e autor do livro A tecnologia na arte: da fotografia à realidade virtual, diz que “com a fotografia, a presença do objeto se torna incontornável. O objeto preexiste necessariamente à imagem. O real faz pressão sobre a imagem e sua exaltação realista ou seu distanciamento com o simbolismo não se torna apenas preocupação dos fotógrafos”*1.


Afastar-se, portanto, do instantâneo, é uma operação muito mais usada por artistas que desejam dissociar a fotografia de uma necessária condição de legitimadora do real, de seu caráter mimético primeiro, que surgiu junto com sua invenção.


Raymond Bellour, autor do livro Entre Imagens, referindo-se a este assunto, afirma: “ (...) Quando a foto decide integrar o traço do movimento visível, dar-lhe seu lugar na tomada e na composição, ela cede a uma força ambígua. Há, por um lado, algo selvagem, elementar, que arrebata o fotografo diante do “real que ele escolheu, para nele favorecer o imprevisível, o que seria artificial ou vão tentar reduzir à pureza afinal imaginária do instantâneo e de suas linhas nítidas, demasiadamente nítidas, que nos levariam a acreditar numa visão translúcida da vida. Mas, por outro lado, nada é menos natural do que as linhas tremidas, as espessuras, os empastamentos por meio dos quais a imagem adquire, no todo ou em parte, uma segunda vida, irredutível à simples visão, à imediatez da visão”*2.


O olho em seu estado normal não vê fora de foco nem conserva inscrito em si mesmo o traço materializado de um movimento, algo que a objetiva, esse falso olho, consegue captar e reproduzir. Mas, muito além dos aspectos maquínicos da operação fotográfica, a questão que o tremido coloca é a introdução do corpo no sistema, como se o olho passasse a operar como corpo, um olho que adere à

paisagem.


Trata-se, portanto, sempre de uma interrupção daquilo que o instantâneo esconde, um estrondo interno na relação entre o corpo-olhar e a realidade que aparece.


A fotografia sempre teve a necessidade de escrutinar o movimento. No início, com Marey e Muybridge, com preocupações científicas, para decompô-lo. Logo depois, seguindo a mesma pesquisa, mas com intenções artísticas, para compô-lo, como podemos ver nas experiências dos irmãos Bragaglia e seu fotodinamismo. De maneira geral, uma das dimensões da vanguarda nas três primeiras décadas do século

(dadaísmo, surrealismo, construtivismo) é essa busca para ultrapassar as fronteiras entre pintura, foto e cinema. O problema hoje, como afirma Bellour, não é mais decompor ou compor o movimento, e sim impressioná-lo. Deixá-lo impressionar, impressionar-se com ele, deixar-se impressionar por ele.


Alain Bergala, no livro que comenta a Correspondance New-Yorkaise do fotógrafo/cineasta Raymond Depardon, distingue duas espécies de fotografias e de fotógrafos: o que acredita na realidade e faz da foto uma arte da presença (que ele chama de fenomenólogo) e o que acredita na realidade como algo impossível e nunca faz mais do que fixar a ausência (o lacaniano). Os artistas que usam os recursos do

tremido, borrado ou desfocado se encontrariam não numa terceira categoria, mas na posição de reunir as duas primeiras, simultaneamente. “O tremido não diz: eu sou a realidade, na qual é preciso acreditar; tampouco diz: eu sou a ausência da realidade. Ele propõe uma realidade duplicada por um afastamento em relação a si mesma: Um signo reconstruído, um signo de arte que procura exprimir uma pulsão do corpo

inscrevendo-se no tempo que se tornou visível”*3.


E é também Philippe Dubois, no livro Cinema, video, Godard, quem sugere que o uso da câmera lenta no cinema, e por extensão o da baixa velocidade na fotografia, funciona como um momento de pesquisa e interrogação sobre a imagem, os gestos e os corpos representados, sobre o que resta de acontecimento no olhar que podemos lançar para as coisas (“desacelerar para ver, não isto ou aquilo, mas ver se há algo a ver”)*4.


Sem dúvida estas reflexões me inspiraram e influenciaram no processo de criação de minha primeira série não-documental, Imagens Posteriores, iniciada em 1998. Nela, me servi intencionalmente de técnicas fotográficas como o uso da baixa velocidade e o deslocamento para criar um “estranhamento” do olhar tendo como matéria a paisagem.


O ponto de partida do trabalho foi a interrogação: como posso interagir com o espaço entre, a partida e a chegada, criado pela velocidade? Geografia embaçada, tempo estendido, foram algumas estratégias para o resultado visual de uma imagem que se pretendia expandida para além do fotográfico. Que pudesse conter música, que pudesse contar com o corpo e emoção do observador em sua própria viagem. Mais tarde, relendo Bellour, deparei-me com uma passagem que antes havia passado despercebida e que me levou a repensar a questão do instantâneo na fotografia.


“Se o congelamento da imagem, ou na imagem, o que poderíamos chamar também de tomada fotográfica do filme, pose ou pausa da imagem que exprime o poder de captação pelo imóvel, se essa experiência é tão forte, certamente é porque joga com a sentença de morte – seu ponto de fuga e, num certo sentido, o único real (...) a sentença que pronuncia a morte é também o que vem suspendê-la, virá-la pelo avesso e devolvê-la à vida, ao tempo de uma vida indeterminada; a narrativa se prolonga para substituir a morte por uma força encantadora, de uma plenitude de enigma (...).”*5


Esta afirmação nos leva a ressignificar o instantâneo fotográfico e nele encontrar uma profundidade que jamais se apresenta por si só. De certa forma, ressignificar o instantâneo não como morte do fluxo, mas suporte de pulsação de vida, foi o mote para a série Fenda, iniciada em 2003 e realizada no espaço íntimo da minha casa.


Quando reconhecemos a balança de um tempo transmutável, onde destruição e desaparecimento estão diretamente ligados ao nascimento ou surgimento do novo, podemos finalmente perceber a urgência da vida e sua capacidade de vencer a morte. No âmbito de diversas culturas, essa capacidade é identificada com a reprodução e em rituais de fertilidade, e é contada em mitologias que chegaram até nós, como na história da deusa Hel, que serviu de inspiração para esta série.


Na mitologia nórdica, Hel é a deusa da Vida e da Morte. Ensina aos mortos como viver da frente para trás. Eles vão se tornando mais jovens, mais jovens, até que estão prontos para renascer e para voltar à vida. A recuperação do divino tem lugar nas trevas de Hel.


Corpo Significante, série iniciada em 2004, é composta de trabalhos que podem ser apresentados separadamente ou em conjunto. Quatro estudos para grandes painéis – Colo, Peito, Mãos 1 e 2 – sugerem uma investigação espacial acerca dos gêneros masculino e feminino e sobre a passagem do tempo notada em partes do corpo de mulheres e homens que não têm sua identidade revelada.


O método visual pode nos remeter a antropometria, estudo das medidas do corpo humano para uso em classificação antropológica e comparação. No século 19 e inícios do século 20, a antropometria era uma ciência usada principalmente para classificar potenciais criminosos pelas características faciais. O cientista Cesare Lombroso, por exemplo, em Criminal Anthropology (1895), afirmava que os assassinos tinham maxilas proeminentes e barba espessa. O trabalho de Eugène Vidocq, que identificava criminosos pelas características faciais, ainda era usado na França um século após a sua introdução (para não falarmos sobre o uso infame desta ciência pelos nazistas).


Não esquecendo esta referência histórica, estas obras falam, no entanto, de uma geografia diáfana inscrita nos corpos onde cada unidade do desenho comum revela-se como uma partícula evidentemente única, um cosmos particular.


O corpo aqui é também usado como paisagem, mas num sentido contrário ao da série Imagens Posteriores, onde desta eram retirados propositalmente os localizadores geográficos que permitem ao observador reconhecer lugares que, de tão explorados turisticamente, já se tornaram monumentos fetiche, prontos para um certo consumo visual. Nos quatro trabalhos citados, o corpo é mostrado por inteiro em suas partes, como mapas onde é possível nitidamente ver as marcas particulares de cada indivíduo.


Os outros trabalhos desta série – Nanorelação e Lugares-Comuns – foram apresentado na Nanoexposição, primeira ação do coletivo GRUPO DOC*6, como foto-objetos.


Em Nanorelação o tamanho de cada imagem é de 2.5 x 1.66 cm, aplicada sobre miniaturas de camas de madeira envoltas com tecido de lençóis. O trabalho é para ser visualizado com uma lupa, reforçando a intenção de fazer do espaço íntimo de uma cama de casal, com todos os seus conflitos e encontros, algo que apenas uma pessoa de cada vez pudesse observar. 


Lugares-comuns é constituído de dois dados de madeira de 3 cm cada com imagens aplicadas. O trabalho brinca com palavras recorrentes no universo da arte contemporânea associadas a imagens da preferência nacional brasileira: a bunda.


Esta série reúne trabalhos com resultados visuais diversos mas com uma temática comum: um corpo que produz sentido através de sua própria gramática e de sua relação com outros corpos possuidores de energias em ação e de forças em processo.


Instantânea ou não, uma fotografia é, para mim, mais do que o congelamento do tempo, a compressão do tempo numa arrumação espacial condensada de algo que é puro movimento, luz, um todo que não conseguimos apreender num mesmo tempo, somente por partes. Uma paisagem em devir.



(Notas)

1 COUCHOT, Edmond. A tecnologia na arte: da fotografi a à realidade virtual. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003. Pág. 36

2 BELLOUR, Raymond. Entre-imagens: Foto, cinema, vídeo. Campinas, SP: papirus, 1997. Pág. 96

3 BELLOUR, Raymond. Entre-imagens: Foto, cinema, vídeo. Campinas, SP: papirus, 1997. Pág. 105

4 DUBOIS, Philippe. Cinema, vídeo, Godard. São Paulo: Cosac Naify, 2004.

5 BELLOUR, Raymond. Entre-imagens: Foto, cinema, vídeo. Campinas, SP: papirus, 1997. Pág. 13. Grifo meu.

6 Grupo DOC (Desordem Obssessiva Compulsiva), formado pelos artistas Isabel Löfgren, Marco Antonio Portela, Mauro Bandeira e Patrícia Gouvêa.





Texto de Maria Iovino para a individual 3 Séries (Colômbia, 2005)

Depois de muitos anos, consegui recuperar o texto da que a curadora e crítica de arte colombiana Maria Iovino escreveu em 2005 para a minha exposição individual 3 Séries, na Câmara de Comércio de Bogotá:


***

Patricia Gouvêa se encontra, em nosso continente, entre os artistas que retornaram à representação da paisagem e de tópicos mais recorrentes no mundo natural, através de óticas que desestabilizam, no estranhamento do habitual e com lúcida delicadeza, as noções mais recorrentes ou acentuadas na interpretação do contexto ou das referências culturais. Esta operação é feita com uma compreensão do tempo e do espaço alheio aos simplismos, o que leva a uma apreciação renovada do que nos é próprio ou próximo.

 

Nestas proposições se reconhecem, portanto, distâncias e inclusive críticas (como no caso de Patricia Gouvêa), aos estereótipos latinoamericanistas na arte, embora na maior parte dos casos neles se expresse claramente uma preocupação em corresponder, com honestidade, às problemáticas e condicionamentos locais. É compreensível então que o imaginário nutrido por estas visões, além de ser invadido pelo ar, penetre até o íntimo da referência interpretativa, rompendo ou eliminando as demarcações mais conhecidas e

acentuadas.

 

Com esta força, Patricia Gouvêa revisita uma paisagem tão difundida no mundo do exuberante, do imponente e do exótico como é a do Rio de Janeiro ou a do território andino. Através da relocalização do seu horizonte e de seu ponto de fuga, da sensação de estremecimento formal e do deslocamento da cor que produz o fluxo vital em cada corpo do mundo visível, a artista detecta a impressão com a qual o devir, continuamente redesenha estas regiões, de maneira tanto inédita como inesperada.

 

Neste sentido, por baixo de uma aparência serena e talvez adormecida do que se considera estabelecido, Patricia Gouvêa nega com argumentações rotundas toda pré-conceitualização e, com ela, qualquer possibilidade de certeza, em um frenético batimento de vida, impossibilitado pela sua própria essência, para sustentar as demarcações que, contínua e eventualmente, traça o movimento.

 

O atrativo varrido de tempo que Patricia Gouvêa gera na paisagem, se fabrica com elementos temidos e, por esta mesma razão omitidos, na clarificação que fazem as interpretações ou as conceitualizações do mundo cognoscível, como são a incerteza e o mistério.

 

O contorno, como ficção do conhecimento está negada nesta proposta e quando é reconhecida, em séries como Fenda ou como Corpo Significante, se afirma como conflito, como abismo que devolve à origem e, nesta via como infinito circular da complexidade inextrincável.

 

Em oposição à Imagens Posteriores, em Fenda e em Corpo Significante é a fronteira que estremece o espaço mais íntimo das relações e dos intercâmbios, embora esta fronteira seja entendida como abertura simbólica ao fluxo em que se redesenham o particular e o comum. Com este olhar é que a geografia volta a tomar sua diáfana inscrição nos corpos de Corpo Significante, nos quais cada unidade do desenho comum é uma partícula evidentemente única e nos quais um tempo de todos e o trânsito incontestável, inscrevem uma e outra vez o que se crê conhecido e tangível. Elas operam com a confusão do múltiplo e do interminável, oculta atrás da face relaxante do cotidiano e do reiterado.

 

 

 

María A lovino

curadora e pesquisadora colombiana





13 junho 2022

Viva viva! Que alegria estar nesta seleção do Salão Nacional de Arte Contemporânea de Goiás

O time de curadores, composto por André Venzon, Bitu Cassundé, Cinara Barbosa, Marcio Harum e Marisa Mokarzel, selecionou 17 artistas, dois a mais que o previsto no edital, para abarcar um número maior de artistas em consideração ao expressivo número de inscrições. A mostra começa dia 14 de julho, no MAC Goiás.

Álex Ìgbó – BA
Anna Behatriz Azevedo - GO
André Felipe Cardoso - GO
Benedito Ferreira - GO
Bianca Turner - SP
Biarritzzz - PE
Camila Soato - GO
Carlos Monaretta - GO
Evandro Prado - SP
Iris Helena - DF
João Angelini - DF
Leonardo Lopes - RS
Maurício Igor - PA
Patricia Gouvêa - RJ
Paul Setúbal – SP
Valdson Ramos - GO
Virgínia Pinho – CE
Suplentes:
Dariane Martiól – SC
Manuela Costa – GO






23 dezembro 2021

Fenda na capa do livro Fotógrafas Brasileiras: Imagem Substantiva

O lançamento já aconteceu, mas nunca é tarde para registrar minha alegria em fazer parte desta antologia ao lado de 71 mestras, ídolas e amigues da fotografia brasileira e ter um auto-retrato meu da série Fenda na capa!

Uma publicação como esta nos coloca no devido lugar de protagonistas no campo da fotografia. Fomos invisibilizadas durante muitas décadas, mas tal força em algum momento iria jorrar com brilho total.
Toda minha admiração à autora Yara Schreiber Dines! Que seja o primeiro volume de muitos pois nossa produção é grandiosa!
* Fotógrafas Brasileiras - Imagem Substantiva *
* Gioconda Rizzo, Hermínia Borges, Alice Brill, Hildegard Rosenthal, Gertrudes Altschul, Alice Kanji, Dulce Carneiro, Maureen Bisilliat, Claudia Andujar, Dulce Soares, Madalena Schwartz, Stefania Bril, Avani Stein, Bia Parreiras, Vania Toledo, Lita Cerqueira, Ella Dürst, Rosa Gauditano, Cynthia Brito, Claudia Ferreira, Jacqueline Joner, Eneida Serrano, Isabel Gouvêa, Elza Lima, Lily Sverner, Vilma Slomp, Claudia Jaguaribe, Renata Castello Branco, Kitty Paranaguá, Eliane Velozo, Lenise Pinheiro, Eliária Andrade, Paula Simas, Rosângela Rennó, Rochelle Costi, Chris Bierrenbach, Monique Cabral, Elaine Eiger, Nana Moraes, Márcia Zoet, Ana Carolina Fernandes, Marlene Bergamo, Paula Sampaio, Ana Araujo, Evelyn Ruman, Anna Kahn, Wania Corredo, Luciana Whitaker, Maristela Colucci, Marcia Xavier, Ana Lucia Mariz, Patricia Gouvêa, Aline Motta, Bárbara Wagner, Bebete Viégas, Sofia Borges, Movimento Fotógrafas Brasileiras (representado no livro pelas fotógrafas Jacqueline Hoofendy, Tetê Silva, Andréa Farias, Milla Dantas, Vanessa Ataliba e Simone Marinho), Mamana Coletiva (Bárbara Ferreira, Isis Medeiros, Bruna Custódio, Mel Coelho, Jacqueline Lisboa, Janine Moraes e Nay Jinknss), Marcela Bonfim, Helen Salomão *



13 agosto 2021

Itacoatiaras no Brasil Cine Mundi

Nosso filme Itacoatiaras foi selecionado para o Brasil Cinemundi - 12o. International Coproduction Meeting 😁 Receber uma boa notícia em um país arrasado é motivo de alegria em dobro! Gratidão a toda equipe maravilinda!



21 junho 2021

Imagens Posteriores na Brisa Galeria | Lisboa

Feliz demais em compartilhar que a linda Brisa Galeria, sediada em Lisboa e comandada pelos feras Bebel Moraes e Daniel Mattar, começa oficialmente a representar e vender minha série Imagens Posteriores em Portugal e Europa! AHO 💛


Very happy to announce that the beautiful Lisbon-based Brisa Galeria starts officially representing and selling my series “Posterior Images” in Portugal and Europe! AHO 💛




26 maio 2021

Itacoatiaras

Nosso filme Itacoatiaras tem ganhado destaque na imprensa. Finalizamos semana passada as filmagens no Amazonas e partimos agora para uma nova etapa de captação de recursos para finalização. 

A matéria do Jornal A Crítica, de Manaus, pode ser lida aqui e a do Jornal A Tribuna de Niterói aqui.




08 março 2021

Mãe Preta no Festival Hercules Florence em Campinas

Após ser apresentada entre 2016-2019 em 4 cidades brasileiras (RJ, BH, SP e SLZ),  a exposição Mãe Preta abriu no dia 19/2 no Espaço Pavão Cultural, em Campinas, a convite do Festival Hercules Florence, cujo nome homenageia um dos inventores mundiais da fotografia. 

MÃE PRETA é exposição de arte e pesquisa da dupla Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa que aborda a memória da escravidão no Brasil através do questionamento do olhar habitual sobre imagens da maternidade negra em arquivos históricos, suas reverberações no Brasil contemporâneo e as lutas das mulheres negras contra o racismo e a violência operadas pelo Estado branco patriarcal.

O ponto de partida são representações de relações maternas no vasto acervo de imagens da escravidão feitas por artistas viajantes e fotógrafos, além de jornais de época. Por meio de intervenções nessas imagens com objetos óticos, como lupas e vidros são destacadas a duplicidade e complexidade das relações das amas-de-leite com as crianças brancas aos seus cuidados e com seus próprios filhos. Dois trabalhos em vídeo completam o trabalho, realizados em parceria com mães negras do Rio de Janeiro e com lideranças femininas do Quilombo Santa Rosa dos Pretos, no Maranhão.

A cegueira da sociedade branca brasileira em relação à questão racial é por definição criminosa pois advém de um legado escravagista que ela custa em admitir e reparar. Acreditamos que a arte tem uma importante contribuição na luta antifascista, pois tem o poder de criar novas imagens e novos vocabulários que operam no insconsciente dos espectadores.

Nesta nova montagem em Campinas, onde a relação da cidade com a memorialização da escravidão sofreu diversos apagamentos históricos teremos a inestimável parceria do Grupo Cultural Fazenda Roseira trazendo conhecimentos passados de geração em geração e, durante a exposição, o instituto estará presente por meio de um ciclo de atividades e de um acervo de plantas rituais, cura e alimento cultivadas no próprio local. Essas plantas terão visibilidade por meio de imagens feitas em cianotipia, uma das primeiras técnicas fotográficas desenvolvidas no século XIX.

A exposição segue até 18 de abril. Veja aqui fotos da montagem.




16 outubro 2020

Revista Razón y Palabra | Equador

De vez em quando recebo artigos acadêmicos que usam meu trabalho como referência. Este é de 2019, publicado na revista equatoriana Razón y Palabra.





 






































































30 setembro 2020

Reabertura de Resiliência | Projeto Janelas do Abapirá

Resiliência
(do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)
Propriedade dos corpos que voltam à sua forma original, depois de terem sofrido deformação ou choque.
Capacidade de quem se adapta às intempéries, às alterações ou aos infortúnios.

Na semana passada também finalmente conseguimos reabrir esta instalação de vídeo, colagem de vinil sobre tinta e fotografia concebida para o Projeto Janelas do Abapirá, tratando de temporalidade e resiliência. Resiliência é uma instalação inédita que abriu em 13 de março de 2020, véspera da data que marcava os dois anos do assassinato da vereadora Marielle Franco. No mesmo dia, no entanto, foi decretado o fechamento de todos os estabelecimentos devido à pandemia da Covid-19. O trabalho só pôde ser reaberto em setembro do mesmo ano, quando o país já batia o marco de 140 mil mortes de cidadãos brasileiros, efeito imediato da necropolítica instaurada pelo presidente Jair Bolsonaro desde sua eleição.

O texto crítico é de Gui Martins PInheiro. Ouça o podcast em que comento este trabalho, minhas pesquisas e o impacto do contexto brasileiro e da pandemia da Covid nesta proposta.








28 setembro 2020

Salão de Artes Visuais de Vinhedo e Festival Confluencias de Arte

Depois de 6 meses imersa neste tempo elástico provocado pela pandemia da Covid, neste panorama de incertezas e rupturas que vivemos no Brasil destruído pelo governo bolsonarista, foi com alegria que recebi a notícia da seleção de dois trabalhos em vídeo para dois eventos de arte que este ano tiveram versões online.

O vídeo Sobrevida #19 foi selecionado pelo Salão de Artes Visuais de Vinhedo, SP.  Feito no encontro do Córrego do Feijão com o Rio Paraopeba, em Brumadinho, no exato local onde toneladas de lama tóxica foram despejadas no crime protagonizado pela #valeassassina

O vídeo Suspensão, ainda inédito e realizado em parceria com André Lohmann, foi selecionado para o Festival Confluencias de Arte, na Argentina. 






10 março 2020

Resiliência no Projeto Janelas do Abapirá

Dois dias antes das manifestações convocadas por Bolsonaro contra as instituições democráticas brasileiras irei inaugurar a intervenção RESILIÊNCIA no Projeto Janelas do Abapirá. Espero vcs lá ✊🏻✊🏻✊🏻✊🏻
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Resiliência, 2020
por Patricia Gouvêa

Patricia Gouvêa ocupa as Janelas da Abapirá com uma instalação de vídeo e colagem de vinil sobre tinta para tratar de temporalidade e resiliência, aspectos que aparecem constantemente em sua obra. A artista visual se utiliza de fotografia, vídeo-instalações e performance para discutir questões que permeiam a experiência humana no espaço e no tempo. Resiliência é uma instalação inédita para a ocupação até o início de abril de 2020.

Através de uma imagem recortada e replicada de uma raiz que teima em resistir às ondas para sobreviver em um ambiente desfavorável, e de um mapa preto do Brasil circundado de um campo de cor e textura ocre, ela nos abre a experiência de conexão com essa resiliência brasileira e Latino-americana frente uma opressão que parece nunca acabar.

Para o observador, as obras instaladas nas duas janelas – separadas por pilar de pedra erigido num Brasil ainda escravocrata – ganham uma potência estética ainda maior, e devem importar uma potencial reflexão a quem passa pela Rua do Mercado, no centro histórico do Rio.

Esse trabalho ficará em exposição todos os dias úteis entre 13 de março e 15 de abril de 2020 na Rua do Mercado 45, onde fica a Abapirá – Mercado de Textos e Imagens.

Realizado pela Abapirá dentro do Projeto Janelas no período de 13/03/2019 a 15/04/2020, com curadoria de Bia Monteiro, Guilherme Pinheiro e Glauco Adorno.